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A Psicologia do Luto

17/08/2016 10h53 | Atualizado em: 17/08/2016 11h21

Lucas Hidalgo

O luto é o processo inevitável de elaboração de uma perda e que todas as pessoas que perdem um ente querido tendem a passar por isso. Possui um vasto leque de sentimentos, mudanças que invadem e interferem no funcionamento emocional de uma pessoa. Perdas repentinas refletem um grau ainda maior de dificuldades em relação a uma perda que pode ser, de certa forma, preparada. Podem interferir a ponto de incapacitar a pessoa de solucionar esses problemas, levar o indivíduo a desenvolver um funcionamento disfuncional como resposta à perda.

As crenças a respeito da perda de um ente querido, serão ativadas e processadas pelo entendimento que o indivíduo tem em relação à morte, ou seja, a reação dependerá do estilo de enfrentamento e dos padrões anteriormente aprendidos e internalizados, interferindo e refletindo, principalmente, na alteração emocional e comportamental, devido aos erros do pensamento (REMOR, 1999).

No luto, vivenciamos cinco fases.

Negação: Momento que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda é tão grande, que não pode ser possível, não pode ser real.

Raiva: Nesta fase, qualquer palavra de conforto, parece-nos falsa, custando acreditar na sua veracidade. Nos perguntamos “porque comigo?”

Barganha: Tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade, sempre sob forma de promessas ou sacrifícios.
Depressão: Surge quando o indivíduo toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Não há como escapar à perda, este sente o “espaço” vazio da pessoa (ou coisa) que perdeu.

Aceitação: É quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. O espaço vazio deixado pela perda é preenchido.


O processo de luto é acompanhado por um conjunto de sentimentos, entre os quais: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, entre outros. Refletindo-se em sintomas físicos de vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, falta de ar, falta de energia, boca seca etc.

Nesse sentido, a perda de um ente querido é um fator gerador de muito estresse; se não for elaborada de uma forma funcional, pode trazer inúmeras repercussões na vida de um indivíduo.

Intervenção na perspectiva de Terapia breve.

Podemos ressaltar o benefício da terapia breve em situações de crise e mudanças radicais causadas por perdas repentinas. Onde o indivíduo não consegue reorganizar sozinho a sua realidade e os seus sentimentos.

No enfoque terapêutico.

Partindo da postulação da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), da ideia de que ao longo de nossas vidas são construídas e adquiridas cognições sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o futuro, não raro as pessoas tendem a fazer interpretações errôneas acerca das situações. Através desses erros de pensamento, acaba-se proporcionando sofrimentos emocionais, físicos e psicológicos e, de acordo com os autores Dattilio e Freeman (2004), dentre os eventos ameaçadores e críticos, situações de crise e situações da perda de um ente querido podem ser situações ativadoras dessas crenças disfuncionais.

O objetivo terapêutico na Terapia Cognitivo-Comportamental perante uma situação de luto por perda repentina tem como base, identificar recursos disponíveis e avaliar quais são as principais preocupações do paciente. Num primeiro momento, recomenda-se defini-las; por seguinte, priorizá-las; e, por fim, abordá-las, levando em consideração e avaliando a rede de apoio social e auxiliando na tomada de decisões, pois possivelmente o enlutado encontra-se em estados psicológico e emocional prejudicados (REMOR, 1999).

 

 


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